LEADER 05383nam 2200349 450 001 9910733297003321 005 20230802110534.0 024 7 $a10.36311/2022.978-65-5954-298-7 035 $a(CKB)5680000000313050 035 $a(NjHacI)995680000000313050 035 $a(EXLCZ)995680000000313050 100 $a20230802d2022 uy 0 101 0 $apor 135 $aur||||||||||| 181 $ctxt$2rdacontent 182 $cc$2rdamedia 183 $acr$2rdacarrier 200 00$a100 anos de Florestan Fernandes /$fedited by Marcelo Augusto Totti 210 1$a[Place of publication not identified] :$cEditora Oficina Universita?ria,$d2022. 215 $a1 online resource 311 $a9786559542987 330 $aFlorestan Fernandes completaria 100 anos em 2020. Filho de Maria Fernandes imigrante portuguesa que veio trabalhar nas lavouras brasileiras, conheceu as agruras da vida desde sua infa?ncia, segundo suas pro?prias palavras nunca teria se tornado o socio?logo que se foi, sem sua origem "plebeia" e sua socializac?a?o pre? e extraescolar. Essa aprendizagem sociolo?gica se iniciou aos 6 anos de idade quando precisou ganhar a vida como adulto, trabalhando como engraxate. Mas eu diria que ela e? anterior, sua ma?e desiludida com o trabalho nas lavouras do interior paulista decide se mudar para a capital e passa a trabalhar como dome?stica na casa da fami?lia Bresser. Gra?vida de Florestan, Hermi?nia Bresser de Lima que seria a madrinha de Florestan, de origem abastadas e com ha?bitos requintados recusava a chama?-lo pelo nome de Florestan, nome de origem alema? fruto de um personagem de uma o?pera de Beethoven, na?o era um nome para um filho de uma lavadeira, assim a madrinha "rebatiza-o" chamando-o de Vicente. Florestan vivenciara outra experie?ncia sociolo?gica, que e? o preconceito das elites brasileiras para com o povo brasileiro oriundo das classes subalternas. Tal preconceito, Florestan estudou de forma mais aprofundada em suas pesquisas sobre as relac?o?es raciais e a inserc?a?o do negro na sociedade de classes, identificando as origens histo?ricas e estruturais do racismo no Brasil que remontam a? nossa heranc?a de um passado escravocrata. Enfrentou as dificuldades como grande parte da populac?a?o brasileira, trabalhou como garc?om no bar do Bidu, lia atra?s do balca?o nos momentos de menor movimento, o que despertou o interesse de professores frequentadores do local. O incentivo dos professores que ali frequentavam rendeu frutos, realizou os estudos no antigo curso de madureza e atrave?s de um desses frequentadores desse bar conseguiu um emprego em uma empresa de produtos qui?micos, possibilitando melhores condic?o?es socioecono?micas. As dificuldades para o jovem de origem "plebeia" na?o se resumiriam ai?, o desafio de entrar no ensino superior era algo muito distante. A rece?m-criada Universidade de Sa?o Paulo, pu?blica e gratuita, era uma alternativa. Criada pelas elites e para as elites, a entrada de estudante trabalhador com formac?a?o em curso de madureza contrastava com o tom aristocra?tico e erudito dos professores e dos estudantes da elite paulista. Para sanar o que denominou de um de?ficit cultural empreende uma rotina mona?stica de estudo que inclui?a leituras em bondes, bancos de prac?as e permanecendo ate? o apagar das luzes na biblioteca municipal. A aprovac?a?o no vestibular na?o foi das mais fa?ceis, com uma banca composta por dois professores franceses, com prova oral em france?s de um livro de um socio?logo france?s, parecia uma barreira quase intransponi?vel para o egresso do curso de madureza. Florestan lia em france?s e conhecia bem o livro de Durkheim Da divisa?o do trabalho social e pede para realizar a prova em portugue?s, os arguidores acharam a situac?a?o inusitada, mas acatam o pedido do candidato que e? aprovado (dos 29 concorrentes apenas 6 foram aprovados). Florestan Fernandes na?o foi apenas um sobrevivente, foi um vencedor! Remou contra a mare? em mares turbulentos, enfrentou temas e pesquisas pouco afeitos em sua e?poca na sociologia, imprimiu um modelo de cie?ncia sociolo?gica colocando a sociologia ao lado dos problemas reclamados pela sociedade. Lutou pela escola pu?blica, pela universidade pu?blica, esteve ao lado dos deserdados da terra, militante socialista, seu mandato como deputado funcionava como uma forma de tribuno da plebe: uma voz para aqueles que na?o tem voz. Em uma sociedade como a brasileira marcada por graves problemas estruturais, de desigualdades e?tnicas, raciais e sociais, as ideias e os escritos de Florestan Fernandes sa?o mais que necessa?rios e se mante?m vivos na luta dos trabalhadores, na Escola Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra que leva seu nome, nas escolas pu?blicas, nas universidades pu?blicas, nos debates e esse livro pretende ser mais uma contribuic?a?o para manter a chama de suas ideias acesa, que iluminam o caminho de um passado obscuro e guiam para um futuro alternativo de utopia e de esperanc?a para a sociedade brasileira. 606 $aSociologists 615 0$aSociologists. 676 $a301 702 $aTotti$b Marcelo Augusto 801 0$bNjHacI 801 1$bNjHacl 906 $aBOOK 912 $a9910733297003321 996 $a100 anos de Florestan Fernandes$93398399 997 $aUNINA